Dom Quixote

Tradução Viscondes de Castilho e Azevedo
(Editora Abril, pp. 154-55)
Tradução Sérgio Molina
(Editora 34, pp. 360-62)
Poema
Quem menoscaba meus bens?
Desdéns.
Quem mais ceva meus queixumes?
Ciúmes.
Quem me apura a paciência?
A ausência.
De meu fado na inclemência,
Nenhum remédio se alcança,
Pois me dão morte: esperança,
Desdéns, ciúmes e ausência.

Quem me causa tanta dor?
Amor.
Quem me as glórias arruína?
Mofina.
Quem às dores me há votado?
O fado.
Receio me é pois fundado
Morrer deste mal tirano,
Pois conspiram em meu dano
O amor, a mofina e o fado.

Quem pode emendar-me a sorte?
A morte.
O bem de amor quem no alcança?
Mudança.
E seus males quem os cura?
Loucura.
Então em vão se procura
Remédio algum a tais chagas,
Sendo-lhes únicas triagas
Morte, mudança, loucura.

Quem menoscaba meus bens?
Desdéns.
Quem me acresce o pesadume?
O ciúme.
E quem me prova a paciência?
Ausência.
Sendo assim, nesta doença
nenhum remédio se alcança,
pois me matam a esperança
desdéns, ciúmes e ausência.

Quem me causa tanta dor?
Amor.
Quem tem-me a glória roubado?
O fado.
Quem me quer tão neste breu?
O céu.
Sendo assim, é pavor meu
morrer deste mal tirano,
pois aumentam em meu dano
o amor, o fado e o céu.

Quem me há de emendar a sorte?
A morte.
E o bem de amor, quem alcança?
Mudança.
E os seus males, quem os cura?
Loucura.
Sendo assim, não é cordura
Querer curar a paixão,
Quando os seus remédios são
morte, mudança e loucura.

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