A festa nunca termina



Uma sensação estranha, como se tivesse ido a uma festa de casamento bem chata e tivesse bebido muito, daí começado a falar um monte de "verdades", grosserias, dado em cima dos maridos gatos e estragado a festa da noiva. Aí de repente tivesse desmaiado e esquecido tudo. E no dia seguinte ligando pra algumas amigas, tun, tun, tun... Ligando para alguns familiares, tun, tun, tun... O que está acontecendo? Ninguém responde e há uma leve impressão de que o ano será solitário, sem saber porquê. 

Tem alguma coisa mudando de maneira invisível, mas o perfume é perceptível. Não lembro o que não há mais aqui e acolá, mas sinto ausências. Apesar disso, está presente demais tudo o que dancei até agora, todas as dancefloor, todas as canções, e não consigo ver o dia chegando para sair para o trabalho. Quando chego até a porta de saída com a conta já paga, o dj começa a tocar 100% do Sonic Youth, desperto do sonho e torno a dormir. Calor, entro no deserto na companhia de alguém com quem jamais poderia estar. Para evitar castrações, ou já sendo uma, me torno um homem e assim, conversamos tranquilamente sobre a música ideal para aquele passeio montados em uma carroça.

O banho é demorado e misturado a lágrimas, como se tivesse acabado de perder alguém. Mas não é perda. É o novo que se nega a entrar e ocupar algum vazio já esquecido. 

Começando a escrever, despertei e fui olhar o sol lá fora. Enquanto isso, no quarto, alguém dorme com a sensação de ressaca da festa do final de semana. Quando será a próxima?

Quando será a última? 






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